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China: cultura, tecnologia e o futuro que já está em operação


Algumas viagens mudam a forma como você vê o mundo. A China mudou a forma como eu vejo o futuro.

 

A Cultura...

Viajar para a China não é apenas atravessar o mundo. É atravessar uma linha invisível entre o presente que conhecemos e o futuro que já está acontecendo em outro lugar. E essa viagem me transformou mais do que eu imaginava.

A jornada começou antes mesmo de aterrissar. Foram mais de 30 horas de deslocamento entre conexões, espera e voos intermináveis. A sensação física é difícil de descrever: cansaço, desorientação e um profundo desejo de chegar. Mas assim que coloquei os pés em Hangzhou, tudo mudou.

 

Hangzhou, considerada uma “cidade média”, tem 12 milhões de habitantes e um aeroporto maior que o Galeão, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, mesmo ainda me recuperando da viagem, saí para caminhar. Queria entender aquele lugar. E logo percebi um traço marcante da cultura chinesa: organização, segurança e um respeito natural ao espaço público. Crianças caminhando sozinhas, ruas limpas, pessoas seguindo regras sem precisar de fiscalização. Pelo que pude perceber, é uma sociedade movida pelo senso coletivo.

Shanghai, uma cidade cosmopolita, reforçou a dualidade do país: mercados tradicionais disputando espaço com shoppings futuristas, barganhas intensas ao lado de arquiteturas ousadas. Um caos organizado, vibrante e fascinante. A China acolhe contradições com naturalidade.

E há uma sensação curiosa: tudo funciona. A tecnologia está por toda parte. Você não dá dez passos sem que uma câmera registre seu movimento; o pedido do hotel é entregue por robôs; pagamentos, reservas, transportes e serviços acontecem em super apps como Alipay e WeChat, eles são verdadeiros sistemas operacionais da vida diária. Ali, a digitalização não é tendência. É infraestrutura.

Tive também a oportunidade de conhecer Dona Jerusa, uma baiana criada no Rio de Janeiro que mora na China há 15 anos. Ela compartilhou histórias sobre disciplina, respeito e adaptação. “Aqui vivemos normalmente, fazemos negócios… exceto quando queremos saber algumas notícias; aí temos de apelar para as VPNs”, contou ela. Foi um lembrete de que todo avanço vem acompanhado de suas próprias camadas de complexidade.

 

A experiência terminou com uma breve passagem por Dubai. Uma cidade que mistura culturas, estética, luxo e arquitetura em uma narrativa própria. Dubai parece ter sido construída para impressionar e consegue. É o resultado de visão, propósito e execução combinados em larga escala.

 

A Tecnologia...

O workshop técnico na sede e na fábrica da Hikvision, guiado pelo Adriano Oliveira e pelo Álvaro Sakae Fukumaru, revelou outro elemento central da China: a disciplina tecnológica. A empresa vai muito além das câmeras pelas quais é conhecida no Brasil. Vi controle de acesso, robótica, smart home, painéis de LED, storage, redes, sensores ambientais, detecção de incêndio, PDAs logísticos, painéis solares e um ecossistema completo de hardware, software e IoT funcionando de ponta a ponta.

 

A suíte de IA Guanlan, treinada com bilhões de parâmetros, redefine a visão computacional. E o HikCentral, plataforma modular e on-premises, integra vídeo, acesso, alarmes, análise e IoT com precisão. No Hangzhou Olympic Sports Center Stadium, vi uma sala de operações de última geração que acompanha, em tempo real, o clima, a energia, a segurança, os acessos e os incidentes. É o conceito de “estádio inteligente” levado ao extremo.

 

Fizemos uma vista no Hangzhou Olympic Sports Center Stadium, pude ver o HikCentral em ação em uma das salas de operações mais completas e sofisticadas que já conheci. A estrutura impressiona pela escala e pela integração: um ambiente amplo e silencioso, onde dezenas de telas exibem informações que se atualizam a cada segundo. Tudo é monitorado. Acessos, fluxos de pessoas, energia, clima, segurança, ocupação dos setores, incidentes internos e externos, movimentação nas áreas externas, alarmes, sensores e sistemas hidráulicos. Em um painel de LED gigantesco, que domina a sala, cada dado é exibido, correlacionado e analisado em tempo real. Não é apenas um dashboard, é um centro vivo de tomada de decisão. A sensação é de estar dentro da central de comando de um megaevento, onde tecnologia, pessoas e processos trabalham como um organismo único. É o conceito de “estádio inteligente” levado ao limite do que a tecnologia atual permite.

 

Quando chegamos à fábrica, esse padrão futurista se confirmou. Logo na entrada, um painel integra dados vindos do SAP, MES e CRM ao HikCentral, exibindo todos os indicadores da planta. É “Industry 4.0”, na prática!

 

Robôs movimentam materiais, montam componentes, organizam o almoxarifado e sustentam uma produção totalmente automatizada, superior a 100 mil câmeras por dia.

 

Algo curioso aconteceu neste workshop, eu era o único participante fora do setor de concessões de rodovias. E isso se transformou em uma grande oportunidade de aprendizado. Conectei-me com profissionais incríveis e percebi o quanto a tecnologia, os dados e a automação podem transformar a mobilidade, a prevenção, a análise de risco e a segurança viária. Isso reforçou minha missão na viagem: entender como IA, visão computacional e IoT podem acelerar a inovação no mercado segurador. Volto com ideias para novas linhas de produtos focados em prevenção, personalização, redução de risco e serviços baseados em dados.

 

Ao final do workshop, apresentei brevemente a Seguradora Líder e o Seguro DPVAT, destacando sua relevância social e o impacto que o modelo teve ao longo de décadas. Expliquei que o DPVAT é um seguro social, criado para garantir indenização a qualquer vítima de acidente de trânsito, independentemente de culpa ou até mesmo da identificação do veículo envolvido. Um mecanismo simples, mas poderoso, que já ajudou milhões de brasileiros, sobretudo os mais vulneráveis. O seguro cumpriu um papel essencial na proteção financeira de famílias que, de outra forma, não teriam acesso a nenhum tipo de amparo. Foi uma oportunidade importante para mostrar como tecnologia, dados, automação e novos modelos operacionais podem aumentar a transparência e melhorar a experiência de quem mais precisa desse tipo de proteção, o cidadão brasileiro.

 

O Futuro...

A China me mostrou algo que levarei para sempre: não existe “futuro distante”. Existe um futuro planejado, disciplina na execução e pessoas comprometidas em realizá-lo todos os dias. Eles têm um plano e seguem esse plano há 40 anos. Isso explica como um país pobre se transformou na potência que é.

 

Volto renovado, grato e com a certeza de que essa viagem não termina aqui. Agora começa a fase mais importante: transformar tudo o que vi em projetos aplicáveis e capazes de gerar impacto no mercado segurador e para além dele.

Essa viagem reforçou algo em que sempre acreditei: líderes não podem se limitar à realidade que conhecem. Precisam ver o que o mundo está fazendo para entender para onde o mundo está indo.

 

E fica uma lição para o nosso país: países que planejam avançam. Países que improvisam sobrevivem. Se no Brasil discutimos projetos por anos, na China eles simplesmente acontecem. A velocidade é quase desconcertante.

 

E você, o que uma viagem já te ensinou sobre inovação e futuro? Conte para nós nos comentários.

 

 
 
 

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